Clima

Mudança climática: o que a ciência sabe com certeza (e o que ainda é incerto)

Por Dr. Thiago Andrade8 de junho de 2025Revisado por: Dra. Ana Lima (INPE)
Temp. CO₂ 🌍

Tendência de aumento de temperatura global e concentração de CO₂. Dados: NASA/NOAA. Ilustração: Interesse Geral

Poucos temas são tão importantes — e tão mal compreendidos — quanto a mudança climática. De um lado, há quem negue a ciência. De outro, há quem catastrofize além do que os dados suportam. Neste explicador, vamos separar o que a ciência sabe com alto grau de certeza do que ainda é objeto de debate e incerteza legítimos.

O que é o efeito estufa?

O efeito estufa é um fenômeno natural e necessário: gases na atmosfera (principalmente vapor d'água, CO₂ e metano) retêm parte do calor solar, mantendo a Terra aquecida o suficiente para sustentar vida. O problema é quando a concentração desses gases aumenta além do natural, intensificando o efeito.

O que sabemos com certeza

Há um consenso científico robusto — apoiado por mais de 97% dos climatologistas e por todas as principais academias de ciências do mundo — sobre os seguintes pontos: a Terra está aquecendo; o ritmo de aquecimento atual é sem precedentes nos últimos 800 mil anos; a principal causa é a emissão de gases de efeito estufa pela atividade humana, especialmente a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento.

Esses não são pontos de debate científico legítimo. São fatos estabelecidos por múltiplas linhas de evidência independentes.

O que ainda é incerto

Há, no entanto, incertezas legítimas sobre aspectos específicos da mudança climática. A principal é a chamada "sensibilidade climática" — quanto a temperatura global aumenta para cada duplicação da concentração de CO₂. As estimativas variam entre 2,5°C e 4°C, uma faixa com implicações muito diferentes para o futuro.

"A incerteza não é motivo para inação — é motivo para precaução. Se não sabemos exatamente o quanto vai piorar, mas sabemos que vai piorar, a resposta racional é agir para limitar o dano."
— Dr. Thiago Andrade, Interesse Geral

O que isso significa para o Brasil

O Brasil tem uma posição peculiar no debate climático. Por um lado, é um dos países mais vulneráveis às consequências da mudança climática — secas mais intensas no Nordeste, chuvas extremas no Sudeste, aumento do nível do mar em cidades costeiras. Por outro, tem uma matriz elétrica relativamente limpa e é um dos maiores produtores de energia renovável do mundo.

O desmatamento da Amazônia é o principal fator que coloca o Brasil entre os maiores emissores de gases de efeito estufa. A floresta amazônica armazena carbono equivalente a décadas de emissões globais — e quando é desmatada, esse carbono é liberado.

Entender a ciência do clima não é apenas questão acadêmica. É pré-requisito para participar de forma informada do debate sobre as políticas que vão moldar o futuro do país e do planeta.

Editor
Dr. Thiago Andrade
Físico e jornalista científico. Doutor em física pela USP. Especialista em tecnologia, clima e física.